“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

O Libertador da Vida

Existem tantas ideias fantásticas a meu respeito, que tenho que começar pedindo-vos, se realmente tendes a intenção de dar-me ouvidos, que deixeis de lado toda a superstição. Aquilo de que vos vou falar pertence tanto a vós quanto a mim; conquanto que para mim seja a Verdade única, não significa isto que ela me pertença exclusivamente. É ela uma verdade que pode ser atingida por todo o ser humano e não está apenas reservada para os eleitos, para os eruditos. Onde quer que seres humanos pensem, sentam e se esforcem, é esta a verdade a culminância e a flor; e para todo o ser humano significa ela o atingimento da pura razão e do puro amor, a união vital que é a combinação da sabedoria e da beatitude — da visão duradoura e felicidade perdurável. Esta é, para mim, a realidade mais alta de todas e é uma realidade a qual todo o ser humano, pelo fato de o ser, pode atingir.

No que a mim concerne, eu vos falo acerca da verdade de meu próprio conhecimento; pois sei que libertei essa vida que todos, cedo ou tarde têm de libertar, e que por meio dessa liberdade, alcancei a iluminação, a qual é apenas uma outra palavra para a verificação do verdadeiro mérito das coisas. Assim, não deveis tomar o que eu digo como mero amontoado de palavras e frases ou como sendo qualquer espécie de complicada filosofia Oriental. Não é isto, porque o que tendes que libertar é a própria vida; é com a vida que tendes que contender, de lutar incessantemente se quiserdes deitar as mãos à plenitude da verdade.

Nem tão pouco falo de gente escolhida, a um núcleo apartado do resto do mundo. Para mim, tal grupo não existe. Não conheço gente selecionada; conheço somente o mundo e vós é que sois o mundo— vós e o restante da humanidade. Não se cogita aqui de um núcleo especialmente qualificado para compreender o que eu digo. Minhas palavras são de modo igual para todos.

Quisera que considerásseis o que eu digo, não sob o ponto de vista de uma filosofia qualquer ou de qualquer sistema porém com espírito prático. Quisera que verificásseis como isto opera; pois a prova de qualquer verdade está na ação. Pelo julgar, portanto, que espécie de ação naturalmente resultará de uma linha qualquer de pensamento, podeis ajuizar do próprio pensamento em si. Pois o pensamento verídico conduz à ordem, à paz e à harmonia, ao passo que o pensamento inverídico somente pode finalizar o caos, pela perturbação e pela exploração dos outros.

Um outro ponto é este — não penseis que o que eu digo se aplica somente aos jovens com exclusão dos velhos, ou vice-versa. A partir do momento que dividais a vida e penseis em seu objetivo como tendo de vir a ser atingido oportunamente, em algum futuro distante, perde-se o propósito desta doce realização, pois que a eventualidade da vida acha-se no próprio momento da ação. A vida não conhece divisões de jovens e de velhos. No Agora Eterno não existe tempo nem estágios do tempo.

Falo daquela vida que se acha manifestada em cada um de vós e que transcende todas as divisões de nacionalidades, de classe e religião; essa vida que, pelo fato de ser essencialmente livre, está continuamente se esforçando para realizar essa liberdade; a vida em que não há separação, que é em si mesma a realidade última, uma, integra e eterna. É com essa vida que me preocupo, de como ela pode ser liberta afim de que possa funcionar espontaneamente e ser estabelecida na beatitude perdurável. Digo beatitude, porque a felicidade é a verdadeira consumação da vida, a mais alta realidade atingível pelo homem. Falando de uma tal felicidade, não estou dependendo de teoria alguma. Falo do que sei e informo-vos segundo o meu próprio conhecimento de que, quando houverdes extirpado toda ilusão, então sereis todas as coisas; tornar-vos-eis unos com todo o esforço humano, seja bom, seja mau, e com toda a humana consecução seja do futuro, seja do passado. Quando houverdes libertado essa vida dentro de vós mesmos, tereis estabelecido a verdade que é felicidade.       


 Jiddu Krishnamurti, 1930 
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill