“Não se pode falar do oceano para um sapo do brejo — criatura de uma esfera mais acanhada. Não se pode falar de um estado isento de pensamento para um pedagogo; sua visão é demasiado restrita”. — Chuang Tzu

Feliz é o homem que se conhece a si mesmo

Como a maioria das pessoas tem hábito de pensar fixo e traduzem cada nova ideia que lhes é apresentada em termos desse hábito no pensar, naturalmente é muito difícil para mim o explicar-lhes algo de novo com velhas expressões.

No entanto, tenho que usar termos comuns. Não posso inventar uma nova linguagem, mas posso dar uma nova interpretação, às palavras de que me sirvo.

Se utilizardes as palavras como ponte de modo a estabelecer o entendimento, então as palavras têm um valor muito definido; se porém vos deixais aprisionar nas palavras, então nenhum valor têm estas.
A verdade considerada ao meu ponto de vista, não pode ser alcançada pela lógica, segundo uma sequência de acontecimentos ou de raciocínios lógicos. A verdade é alcançada pela razão, que é a essência de toda a experiência. O entendimento não é raciocínio intelectual. Não se pode submeter a vida ao raciocínio, mas pela experiência constante, continuamente alerta, pode-se alcançar o verdadeiro significado da verdade. Não podeis intelectualizar o amor. Quando intelectualizais o amor vem imediatamente a distinção entre o “tu” e o “eu” nesse amor; ao passo que, se amardes com o coração, não há essas distinções. É apenas a mente que cria distinções, separatividade, divisões. A vida não é um processo de intelectualização ou de racionalização.

O entendimento do verdadeiro significado da vida é produzido pela ação, não a ação no sentido metafísico somente, porém a ação no que respeita a conduta em nossa vida diária, em que existe continuação e reação, em que existe o contato com a humanidade. A nossa atitude para com os outros, a maneira de nos comportarmos, o modo de amarmos e de pensarmos — é conduta na ação. Então, a ação torna-se escolha, a descoberta continua da verdade. Deve haver a escolha na ação, pois que a ação é resultado do sentimento intenso.

Quanto mais vos intelectualizais menos são os vossos sentimentos e por isso mesmo menor a ação; ao passo que, se possuis intensos sentimentos, destes sentimentos intensos nasce a ação e por meio desta realizais a verdade.

A realização é alcançada por meio da escolha constante, na ação, e não por vos perderdes em metafísica e misticismo. Não deveis confundir porém, sentimento com sentimentalidade. O interesse cria o sentimento intenso, de que nasce o entusiasmo que proporciona energia, enquanto que sentimentalidade é fraca, dissipando energia, ao invés de produzi-la. O sentimento intenso tem continuidade e pode firmemente ser mantido, ao passo que a sentimentalidade sofre variação e diversidade de graus no entusiasmo.

Portanto, para a pura ação é mister o sentimento puro; e a pura ação não é possível senão não existindo limitação originada de falta de pleno entendimento do verdadeiro significado da vida. Assim, não intelectualizeis meramente, ou racionalizeis aquilo que sentirdes e pensardes; não indagueis somente se os vossos pensamentos e sentimentos são lógicos, e baseados no raciocínio. Esta espécie de introspecção é destrutiva, enfraquece e não conduz à ação. A razão disto é que por este processo de intelectualização apenas subjugais os vossos impulsos, vossos sentimentos intensos que devidamente orientados vos devem levar a ação.

Neste mundo é mister a ação. Não pode haver como cessar a ação. A vida é criação na ação. Se compreendeis o propósito da criação, a ação se torna espontânea. A criação não é mera produção de muitas coisas — multiplicação de bens. Estes são meras produções, ao passo que a criação é puro ser, é essa ação espontânea que vem do interior, que é inconsciente. Ao usar da palavra “inconsciente não quero significar um estado de sono, mas sim de alerta, de concentração sem nenhuma limitação. A verdadeira criação está na concentração, na ausência de limitação. A criação verdadeira não é mera produção. A produção não é de grande importância, embora seja necessário produzir. A ação, é, pois, a relação entre vós próprios e a civilização.

A civilização não é senão a expressão de vosso ser. Isto não constitui uma ideia metafísica, ou mística. Esta civilização de luta de classe, de desejo de muitas possessões, de lutas, de mecanização, é o resultado de vossa falta de entendimento; é a expressão de vosso ser na manifestação. Quando compreenderdes esta vossa relação para com a civilização, não mais acrescentareis o vosso contingente a esta luta de classes, a este embate, a esta separatividade.

Na vida não existe isso — divisão de classes. É criada pelo homem em sua limitação e a luta de classe é ocasionada pelo desejo de posses. Desde que como indivíduos, não sejais cobiçosos ou desejos de posses, estareis desencorajando a luta de classes. Assim, vossa conduta na ação há de ajudar a destruir o sentimento da separatividade.

Assim também o propósito da educação é criar oportunidades iguais para todos não meramente para um conjunto definido de pessoas ou para a classe aristocrática ou rica. Não vos estou fazendo discurso socialista! O que quero dizer é que é necessário que haja ação quando houver limitação. O homem acha-se colhido pela tristeza; cada um de vós está lutando nesta gaiola, neste presidio de tristeza, que é a moderna civilização. Podeis, pela vossa ação, contribuir para esse edifício ou, pela resistência auxiliar a diminuir este mecanizante, destruidor processo de civilização.

Quando digo que a vida é verdadeira criação, e não produção, quero dizer que existe ação contínua, não cessando a ação. Por favor, não entendais mal a palavra “ação”. É à pura ação que me refiro na qual a inação se acha também incluída. A maioria das pessoas atemoriza-se com a inação, pelo fato de se encontrarem incertas acerca de si mesmas, amedrontadas de si mesmas, pelo fato de se atemorizarem de estar sozinhas, solitárias. Assim sendo, lançam-se à — ação, que não é senão negação. Na capacidade para estar só na inação da solidão, que não nasce do tédio para com o conflito do mundo, mas, sim de se acharem vossa mente e vosso coração cheios e ricos é que decorre a pura ação. Feliz é o homem que se conhece a si mesmo melhor de que às suas ações.

O verdadeiro valor das “indagação” deve provir somente do fato de vos encontrardes intrigados, ansiosos por perceber aquilo de que vos estou falando, e não para simplesmente me deixardes para um canto. (Se a vossa ideia é de me colocardes de lado submeter-me-ei!) Se, porém, surgirem perguntas pelo fato de vos achardes em conflito, pelo fato de vos pesar demasiado o mundo que vos rodeia quando, por causa de vossa tristeza vos estiverdes esforçando por descobrir a realidade, o propósito duradouro da existência, então tais perguntas surgindo em vosso conflito pessoal, obterão resposta. Por isto é que necessitais de criticar com afeto — duvidando de vosso próprio coração e mente. Na luta pelo entendimento surgem inúmeras perguntas — vitais, inteligentes, não meramente superficiais. Tais perguntas são dignas de resposta, por constituírem problemas reais — não criados intelectualmente, mas originados pela vossa tristeza, vossa luta, vosso entendimento.


Krishnamurti em Acampamento da estrela de Ommen, 31 de julho de 1930
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)