“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

Libertai-vos de vossas muletas

Pergunta: Se alcançardes êxito no despedaçar os grilhões que amarram a vida e a verdade e quando a vida estiver liberta da superstição, do dogma e da autoridade, não será o resultado disso um caos maior do que aquele que vemos ao redor de nós presentemente? Podeis prever o que virá a acontecer quando a humanidade estiver liberta dessas amarras?  

Krishnamurti: Dado a meta ser para todos, sem olhar as distinções, e se fixardes essa meta por vós próprios, todos os vossos pensamentos e atos serão encaminhados por ela. Sustento isto porque ninguém no mundo possui uma tal meta, existe o caos e não o êxtase de propósito que advém quando cada qual houver estabelecido a sua meta por si mesmo. Ao demais disso, se existir caos ao redor de nós, como existe presentemente, é melhor experimentar com algo que, com toda a probabilidade venha a produzir a ordem. Não há utilidade alguma em dizer que, pelo fato de haver desordem, não devêramos tentar nada por medo de que possa produzir desordem maior. Isto é uma maneira covarde de encarar a vida. Não é esta a atitude do criador, do gênio; este é o caminho da estagnação, da falta de compreensão da vida. Se habitardes na sombra, de nada serve o dizer: “Não ouso abandonar a minha sombra por medo de que haja maiores sombras lá fora”. O propósito da vida é fazer face às sombras e não o evita-las por medo.

“Podeis prever algo do que virá acontecer?”

Não sou leitor de cartas. Além disso, é coisa de pouquíssima importância. Estáveis na incerteza quando fizestes esta pergunta. Pretendeis obter uma nova esperança para a ela vos apegardes, de modo a, ao seu redor, criar outra sombra, outra superstição a mais. Em vossa mente todo o futuro se acha baseado em esperanças. A verdade, no entanto, nada tem a ver com a esperança de vossa salvação particular. E se essa esperança existe, será ela uma traição à verdade. Cada qual deseja ser glorificado no futuro, possuir uma situação particular no céu o mais perto possível de Deus, o Deus de sua própria criação. Em um tal céu não existe sombra de verdade. Ele acha-se vazio no que respeita à verdade.

Enquanto buscardes uma esperança, um conforto e um bálsamo que cure todas as feridas, estareis afastando-vos cada vez mais desse reino onde reside a felicidade, onde a verdade habita para sempre.

Pergunta: Devemos repelir por inúteis as “verdades”, “princípios” ou “ideias” que nos serviram de ajuda, digamos, exemplificando, para ir do agnosticismo à espiritualidade?

Krishnamurti: Não vos deis ao trabalho de guardar as cascas das frutas que comeis, nem conservai de memória todos os acontecimentos que vos auxiliaram a crescer. Conservai aquelas verdades que alcançasteis mediante a experiência, antes do que a experiência em si mesmo considerada. De nada serve o sobrecarregar as vossas mentes com cascas vazias. À medida que cheguei a compreender por mim mesmo, fui deixando de lado as crenças, repetições, palavras vãs. Naturalmente, se eu vir a outrem fazendo a mesma coisa que eu fiz, digo-lhe: “Não repitais os meus erros. Eu passei pelo estágio em que necessitava de muletas; e verifiquei que todas essas coisas são desnecessárias”. Não vos digo: “por ter passado eu por todos esses estágios, vós tendes que fazer a mesma coisa”.

“Devemos repelir por inúteis as “verdades”, “princípios” ou “ideias” que nos serviram de ajuda, digamos para ir do agnosticismo à espiritualidade?”

Vós já as haveis ultrapassado. Aquilo que sustentáveis como verdade há dez anos não mais vos satisfaz agora. Vós não guardais isso, eu vo-lo asseguro. Ninguém repelirá suas verdades, princípios, ideias, a não ser que deseje faze-lo. É este o desejo que eu quisera criar em vós e não fazer-vos a imposição de minha forma particular de compreender.

Pergunta: Pode-se tirar todas as muletas e apoios à fraca humanidade nos tempos atuais?

Krishnamurti: Eu não vos posso tirar vossas muletas e apoios. Vós é que as deveis atirar fora.
Se eu vos tirasse um apoio, inventarieis outro. Se destruísse uma gaiola, criaríeis outra e enfeitar-lhe-íeis as grades. Meu propósito não é tirar coisas, porém sim criar esse imenso desejo pela verdade que vos faça despedaçar por vós mesmos todas as gaiolas.

Krishnamurti, 1930
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill