“Não se pode falar do oceano para um sapo do brejo — criatura de uma esfera mais acanhada. Não se pode falar de um estado isento de pensamento para um pedagogo; sua visão é demasiado restrita”. — Chuang Tzu

A verdade nada tem que ver com a gratidão

Pergunta: O livrinho fundamental “Aos Pés do Mestre” deve trazer confusão à muitos que negam as coisas místicas e ocultas, pois que haveis ali escrito: “Estas palavras não são minhas e sim de meu Mestre”. Como devemos entender isto?

Krishnamurti: Explicarei. Na busca pela verdade, tendes no fundo de vosso ser a ideia de que estais à procura de algo fundamental, duradouro, real, que não depende de pessoa alguma, por muito evoluído que seja. Assim, estais sempre procurando essa realidade escondida, oculta, e atribuís essa realidade a tipos — tipos muito altamente evoluídos. Porém, a partir do momento que vos tenhais aproximado desse tipo e a ele vos tenhais ajustado, a realidade não mais estará nesse tipo, tendes que ir assim, mais longe. Não se trata aqui de gratidão; a verdade nada tem que ver com a gratidão. A verdade está para além de todas as pessoas, para além de todos os estágios de desenvolvimento individual.  A todo o instante estais buscando esta causa e atribuindo-a a pessoas com quem acontece vos relacionardes. Porém, gradualmente, ireis eliminando esses tipos imaginários até que, finalmente, chegareis à vossa meta. Pelo fato de haver encontrado a realidade, digo à todos que o quiserem ouvir: Não atribuais a totalidade da verdade à tipos individualizados. Buscai o último que não pertence a pessoa alguma, a nenhuma seita, a nenhum caminho. Pelo fato de vos aferrardes à ilusão de que a compreensão da vida, da verdade, tem que ser encontrada através do indivíduo, por meio de um tipo, perdeis a vontade de vos deixardes ir a vós mesmos por diante. Tendes que ficar vazios como um deserto, para poderdes compreender — vazios como um vale solitário. Todas estas questões de tipos surgem enquanto existe ainda esse aferro à ilusão proveniente do auxílio pessoal vindo do exterior. Meu propósito é mostrar àqueles que quiserem ver, a verdade que está oculta dentro deles próprios. A felicidade pela qual buscam acha-se escondida dentro de suas próprias limitações, dentro de seu próprio estreito amor e pensamento; o desenvolver este amor até tornar-se todo integrativo, eis a realização da vida.   


Krishnamurti em Reunião de Verão, Eerde, 19 de julho de 1930
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)