“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

O puro amor não exige objeto

Pergunta: Falais muito, no presente, da pura vida, do puro ser. Uma tal concepção parece moldar-se no que é metafísico. Podeis trazer essa concepção à uma forma mais relacionada com a conduta na experiência diária?

Krishnamurti: Perfeitamente. Tomai um exemplo — continuarei a falar sobre isto amanhã. O desejo pelo conforto; isto é, o que eu chamo reação. Não é puro ser, pura vida. O conforto implica medo, acalenta o temor. Conforto, seja físico, emocional ou mental; o conforto que depende, para vosso bem estar, da pessoa de outrem; que vos faz temer a solidão; um tal desejo de conforto, é sempre reação e não é a pura exteriorização do Ser. Pura ação, puro ser, pura vida, baseado na verdade, não dependem para sua felicidade, para sua integridade, para seu êxtase, de reações emitidas por objetos fora dela mesma. Olhai para dentro de vossos próprios corações e mentes e haveis de verificar como estais emocionalmente dependendo, para vosso crescimento, de alguma outra pessoa — dependeis de outrem para vosso conforto. Mais uma vez, achai-vos limitados pelo vosso amor à uma pessoa — e não ao Todo. Daí, um tal amor, posto que potencialmente seja ação pura acha-se ainda colhido pelas reações da tristeza, da dor e do prazer. Mais adiante, por meio do amor à uma pessoa, ampliareis o amor cada vez mais; e assim, desfazem-se as paredes da reação. Para chegar à esta Pura Vida, à este Puro Ser, (para isto inventaremos amanhã novos termos) precisais de amar a alguém; é preciso que haja este intenso desejo de afeto, de amor. O homem sábio porém, não se satisfaz somente com isto. O sábio, em sua luta para chegar à pureza, à incorruptibilidade do amor — do amor que é, ele mesmo, sua própria eternidade —, está a todo o momento crescendo por meio do sofrimento, acalentado por esse amor estreito. Seguramente é isto que está acontecendo a todos na vida? Assim, enquanto não chegardes a esse estado em que o amor não exige objeto, não tereis encontrado o puro amor que não tem reação. No fim de contas, amais a uma pessoa e depois multiplicais esse “eu sou” que existe nos muitos, até que os muitos tenhais incluído nele. Este é o amor ao qual eu chamo “pura ação”.          


Krishnamurti em Reunião de Verão, Eerde, 19 de julho de 1930
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill