“Não se pode falar do oceano para um sapo do brejo — criatura de uma esfera mais acanhada. Não se pode falar de um estado isento de pensamento para um pedagogo; sua visão é demasiado restrita”. — Chuang Tzu

Sobre realização e solidão

Pergunta: Se toda a vida é uma, porque é que a realização de uma não representa a realização de todos? Ou será somente depois da realização que a vida é uma?

Krishnamurti: A vida é uma tanto no mais baixo como no mais alto. No mais elevado tudo está contido; existe a consumação. No mais baixo está contido tudo em potencialidade, não, porém, em efetividade. Se verificarmos que a vida é uma e levarmos essa realização à prática já não projetaremos sombras nem criaremos tristezas ou ilusões. É, porém, somente por intermédio dessas ilusões, e pelo gradualmente reconhece-las e eliminá-las que qualquer indivíduo pode chegar à perfeita realização da vida que está em todos. Como pode a realização de um outro proporcionar-vos o entendimento daquilo que há sido realizado? O máximo que posso fazer é apontar-vos as vossas ilusões; tendes que as destruir por vós mesmos. Seria assunto fácil se, pela realização de um, todos os outros pudessem realizar. Porém a vida e sua beleza ficariam, então, perdidas. O entendimento e a felicidade de um, não podem ser transmitidos a outro.

Pergunta: Podeis dizer-nos algo acerca da solidão?

Krishnamurti: O isolamento manifesta-se quando dais afeto a uma só pessoa e não a muitas. Ele é necessário afim de despedaçar as barreiras que existem entre homem e homem. Que acontece quando vos achais tristes? Vós vos retrais, vos tornais amargos, duros, cínicos, ou então buscais aturdir-vos nas coisas triviais. Porém, a lição real da tristeza é a de que precisais crescer, e não de retrair-vos; a partir do momento que haja retraimento ou exclusão advém outra tristeza. O escopo da vida é o de que sejais todo-integrativos em vossos afetos e não os proporcioneis simplesmente a uma pessoa; porém, somente podereis verificar isto passando através do afeto pessoal com toda a sua intensidade, limitação e tristeza. Por meio dele chegareis a aprender que a vida em sua totalidade, não é dual, mas singular. E quando houverdes entendido isto não mais existirá solidão, pois que então estareis enamorados da vida; e então todo o ser humano será parte dela e amareis e respeitareis o conjunto e não meramente uma só unidade.   


Krishnamurti em Acampamento de Ojai, 1930
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)