“Não se pode falar do oceano para um sapo do brejo — criatura de uma esfera mais acanhada. Não se pode falar de um estado isento de pensamento para um pedagogo; sua visão é demasiado restrita”. — Chuang Tzu

Era uma vez um Instrutor que...


Certa vez — que é o modo pelo qual todas as verdadeiras historias começam — havia um mundo no qual toda a gente era doente e triste e, no entanto, todos buscavam libertar-se de seu sofrimento e encontrar a felicidade. Em busca dessa felicidade eles oravam, cultuavam, amavam, odiavam, casavam-se e promoviam guerras. Geravam filhos tão desgraçados quanto eles próprios e apesar disso ensinavam a esses filhos que a felicidade era seu direito e sua meta futura.

Um dia, então, em meio deste mundo sofredor, elevou-se um sussurro que se tornou em clamor, de que um Grande Instrutor estava para vir, o qual, em virtude do seu amor pelo mundo e pela sociedade, traria àqueles que se encontravam sofrendo, conforto em sua tristeza e mostraria a todos como poderiam encontrar a felicidade perdurável que todos andavam buscando.

E, afim de espalhar amplamente as alegres novas da vinda do Instrutor, instituições e sociedades se formaram e homens e mulheres foram pelo mundo falando acerca do Instrutor que deveria vir. Alguns imploravam-no por meio de orações para que viesse mais depressa. Outros executavam cerimônias para preparar o mundo para recebê-lo. Outros fizeram estudos profundos de tempos esquecidos, de quando outros Instrutores haviam vindo e ensinado, afim de, por meio desse estudo, poderem entende-lo. Alguns adiantadamente proclamaram-se discípulos seus, afim de que, quando ele viesse, houvesse pelo menos alguns para rodearem-no e entenderem-no.

Depois, um dia, ele veio. E disse à população do mundo que havia vindo para trazer-lhe felicidade, para curar-lhe as dores e suavizar as tristezas. Disse que, por meio de muito sofrimento e dor, havia ele encontrado seu caminho para uma morada de paz, para um Reino de eterna Alegria. Disse-lhes que tinha vindo para dirigi-los e para guia-los para essa mesma morada. Porém, disse ele que, pelo fato de o caminho que conduzia a esse Reino ser áspero e estreito, somente poderiam segui-lo aqueles que quisessem deixar de lado tudo quanto houvessem acumulado no passado. Solicitou-os a que deixassem de lado seus livros, seu conhecimento, suas famílias e seus amigos. E que, se fizessem isto, ele os proveria de alimento para a jornada, satisfaria sua ardente sede com a água viva que possuía, e os levaria para dentro do Reino da Felicidade onde ele próprio eternamente mora.

Então, essas pessoas que por tantos anos se haviam estado preparando para o Instrutor, começaram a sentir-se desconfortadas e perturbadas. Pois disseram elas: “Este não é o ensino que esperávamos e para o qual nos estivemos preparando. Como podemos renunciar a todo este conhecimento que tão penosamente adquirirmos? Sem ele jamais o mundo teria entendido o Instrutor. Como renunciarmos a todos estes esplêndidos ritos e cerimônias em cujo cumprimento encontramos tanta força e felicidade? Como renunciarmos a nossas famílias e amigos quando tanto deles necessitamos? Que ensinamento é este?”

E começara a perguntar a si mesmos: “Será este, na verdade, o Instrutor a quem estivemos esperando? Nunca imaginamos que ele viesse falar deste modo e nos solicitasse tais renuncias”. E aqueles, mesmo, que se haviam proclamado seus discípulos, por via de seu mais íntimo conhecimento da sua vontade, sentiram-se desconfortados e perturbados.

Em seguida, após muito pensar e meditação, a lua veio até eles e com ela a solução de suas dificuldades. E eles disseram: “É verdade que o Instrutor vem para ajudar o mundo, porém nós conhecemos o mundo melhor do que ele e, portanto, atuaremos como seus interpretes para o mundo.”
E assim, aqueles que possuíam o conhecimento disseram: “O seu apelo pela renúncia não se aplica a nós, pois que o mundo necessita do nosso conhecimento e não pode passar sem ele, portanto, por amor ao mundo, continuaremos a buscar pelo conhecimento”.

E aqueles que executavam ritos e cerimônias disseram: “Naturalmente, renunciamos a todos os ritos e cerimônias para nosso benefício, ultrapassamos a necessidade delas, porém, por amor ao mundo, continuaremos a executá-las, pois de outra maneira o mundo sofrerá”. E assim, continuaram a construir igrejas e templos a executar ritos, todos eles para ajudar o mundo, e estiveram demasiado ocupados para darem ouvidos ao Instrutor.

As únicas pessoas que voluntariamente renunciaram foram aquelas que abandonaram os seus lares e famílias por quererem se libertar dos deveres e obrigações que lhes competiam. E vieram ao Instrutor e disseram: “Tudo deixamos para seguir-vos, buscai-nos agora uma tarefa fácil em que possamos trabalhar para vós e também ganhar a vida”.

Alguns, houve, poucos, que deixaram de lado todas as coisas e, sentados ao pé do Instrutor, se esforçaram para aprender dele o como alimentar os famintos e satisfazer os sedentos. Essas pessoas ajuizaram que a sabedoria dele, provavelmente seria mais útil ao mundo do que o seu conhecimento; que a sua simplicidade seria melhor entendida do que as suas complicações; que o Instrutor poderia estar melhor informado do que eles ao dizer que ritos e cerimônias não eram necessários para encontrar a felicidade que ele vinha proporcionar; que poderiam renunciar suas famílias e amigos, em seu coração, sem deles se apartarem na carne.

Os outros, reprovaram-nos pelo seu egoísmo e preguiça. Disseram: “O mundo não precisa do pão do Instrutor, porém, sim, de uma especial qualidade de pastelaria da qual nós temos a receita. Ele não necessita de água que extingue a sede, porém sim do vinho contido em nossos cálices. As palavras do vosso Instrutor não auxiliarão o mundo, por serem demasiado simples e o mundo não pode entender o que elas significam. Nós temos teorias complicadas para solver os complicados problemas do mundo e o mundo pode entende-las”.

Assim, poucos houve, dentre aqueles que mais ardentemente haviam anunciado a vinda do Instrutor, que dessem ouvidos ao ensino que ele trouxe. Alguns disseram: “Não é este o Instrutor que estivemos esperando, e, assim, continuaremos a prepara-nos para a vinda do Instrutor real”. E outros edificaram muros e barreiras em redor dele, afim de que ninguém dele se aproximasse a não ser que eles próprios abrissem as portas.

Assim, dentro em poucos anos, ele foi-se embora e, então, essas mesmas pessoas o saudaram como um inspirado divino e edificaram novas igrejas em seu nome e inventaram novos e trabalhosos ritos e cerimônias para sua glória, e construíram uma nova religião sobre os ensinos que ele não dera. E o mundo continuou a sofrer e a clamar por auxílio.


Boletim Internacional da Estrela, nº 4, dezembro de 1929
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)