“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

É preciso compreender a vida por si mesmo

Pergunta: Sugeristes que deveríamos fixar nossa meta. Dizeis que alcançastes a meta que, para vós, é a liberdade, a libertação e felicidade. Quando tento ficar minha meta, verifico que não é fácil. Nada se me afigura definido quanto à meta. Por que norma sugeris que eu pense, ou atue, de modo a poder perceber minha meta, embora obscuramente?

Krishnamurti: Amai vossos amigos. Não é esta uma meta em si? Tendes algumas ideias intelectuais abstratas sobre isto. Se procurais alguma coisa além, é isto, naturalmente vago, difícil, incerto. Mas, ao mesmo tempo estais passando por cima das pessoas. O que interessa é o que fazeis agora, como agis e reagis, como procedeis, como pensais agora — não o que fareis futuramente. Que tem o futuro com aquele que está na tristeza? A meta ou o início da percepção da meta está muito próximo; está junto de vós, está em vós. Estais tentando aceitar minha meta, minha definição de meta. Quereis fazê-la concreta, apertá-la, para vossa percepção. Não o posso fazer. Se o fizesse, nenhum valor teria para vós. Mas se percebeis vós mesmo a meta, então, todas as vossas ideias, toda a vossa vida, todo o vosso sofrimento seriam a meta. Seria a meta de todos naturalmente, porque todos estais sofrendo.

A pergunta é “por que norma sugeris que eu pense ou atue, de modo a poder perceber minha meta, embora obscuramente?” Como posso eu sugerir o que deveis pensar? Quando estais na tristeza, ou na solidão, ou estais na dor, não perguntais a outrem: “Como devo livrar-me disto?” Experimentais caminhos e meios de vos livrardes e não vos sentais e tentais compreender como vos envolvestes em tal situação. Quando tendes fome, que fazeis? Se sois de índole má ides roubar, pedir ou fazer alguma coisa. Não vos sentais e pesquisais a causa da fome, o que é a meta da fome. Esta é a razão porque eu disse que a verdade é uma questão puramente individual, não para ser conhecida através de qualquer profeta, através de qualquer guia, ou através do vosso próximo. Se compreenderdes a vida através de vós mesmo, ela será a vida de cada um, porque o eu é o mesmo, tanto em vós como em mim; e se tiverdes penetrado, enriquecido, tornado perfeito esse eu, então compreendereis o eu de cada um e de tudo.     


Krishnamurti em reunião de inverno em Adyar, 31 de dezembro de 1929
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill