“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

Para viver no presente é preciso grande concentração


Pergunta: Se temos de fixar nossa meta inteligentemente, devemos saber, pelo menos, alguma coisa a seu respeito, ainda que possa ser vagamente. Com o fim de nos habilitar a fazê-lo, podereis ter a bondade de explicar se a meta ou a liberdade de que falais é a liberdade dos obrigatórios nascimentos e mortes de que outros falam? Outrossim, se essa meta é o passo final no atingimento ou é um na série dos passos?

Krishnamurti: Não vou responder a esta pergunta, porque não vos devem preocupar os nascimentos e mortes. O que vos deve interessar é a vida presente. Quando cultuais a morte, como faz a maioria das pessoas, precisais saber tudo a respeito dela, quais são as suas qualidades, se há nascimento e renascimento. Mas, se estais concentrado no viver presentemente, profundamente focado no presente, então não tendes receio da morte ou do renascimento. Não estou fugindo à pergunta; não estou interessado com o nascimento ou a morte. Não me preocupa se renascentes ou não. Nenhum valor tem isso; o que é valioso é como estais vivendo agora. Porque o dia de hoje encerra o passado e o futuro, o espaço e o tempo, tudo. O todo da existência está no agora. Isto não é uma coisa metafísica, extraordinária de compreender. O agora projeta-se no passado e no futuro, em ambos os sentidos, em todos os sentidos, e um homem que vive sinceramente se preocupa com a tentativa de se fazer cada vez mais perfeito no presente, cada vez mais incorruptível no presente. Se estais com fome agora, não vos adiantará saber que sereis alimentado dentro de dez dias. Se estais sofrendo de alguma moléstia vital, precisais ser curado imediatamente, não estais preocupado em saber como a apanhastes e qual será o fim dela. Precisais ser curado, se estiverdes sofrendo. Assim, se posso sugeri-lo, não vos deveis preocupar com estas coisas, mas concentrar vossa mente, vossos pensamentos, vosso desejos, no presente e não no futuro. Para viver no presente, no agora, para ser profundamente cauteloso no agora, é preciso grande concentração. Exige tal energia que preferis procurar alívio na morte e no renascimento. Atendei a isso, porque é vital, essencial que sejais incorruptível agora, que tenteis compreender agora, e não confundais aquilo que vos fica adiante ou atrás. Há inúmeras teorias a respeito do que está aquém e do que está além. Aceitais uma ou outras. Do meu ponto de vista, qualquer que seja a teoria que adoteis, não tem valor. Mas, o que tem valor é o que sois agora, como estais lutando agora, de que modo estais fazendo vosso amor cada vez mais incorruptível, quais são as vossas reações, de que modo tratais vossos amigos, de que modo considerais os outros dentro do vosso coração. O prisioneiro sabe que será solto da prisão alguns anos mais tarde, mas quer ser solto imediatamente. Um homem que está preocupado em resolver o imediato do ponto de vista do eterno não tem futuro e nem passado. Deveis solve-lo do ponto de vista do eterno, que é vida, não só a vida do indivíduo, mas a vida do todo, não o vosso futuro imediato, mas a totalidade da vida. Assim, se puderdes lutar, compreender e viver no presente, batalhando com poderosa energia, então não haverá, para vós, em nascimento e nem morte.      


Krishnamurti em reunião de inverno em Adyar, 31 de dezembro de 1929
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill