“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

Você quer — realmente — ser feliz e livre?


Antes de responder às questões, gostaria de fazer, como introdução, uma ou duas observações. Para compreenderdes perfeitamente qualquer coisa que desejais compreender débeis a ela dirigir todo o vosso espírito.

Não deveis ter certa parte de vosso espírito funcionando num sentido e a outra parte procurando compreender alguma coisa. Uma parte do espírito fica o tempo todo alheia ao que a outra parte deseja, porque vossas apreensões, vosso desejos, vos impedem de cuidadosamente analisar. Este habitual alheamento de certa parcela do espírito deve desaparecer. Um médico que deseja curar um mal crônico procura a raiz do mal e de lá o extirpa. Mas se deixar uma certa parte do mal no corpo, o mal recrudesce sempre. Assim, se quiserdes compreender, deveis aplicar todo o vosso espírito. Isto significa que o vosso espírito precisa não estar satisfeito com todas as coisas que o espírito tenha criado, pois que, em resumo, tudo é criação do espírito. Não podeis deixar um recanto da mente inexplorado, não examinado. Se quiserdes verificar se o que estou dizendo é verdadeiro ou falso — o que é uma questão puramente individual — deveis dirigir vosso espírito inteiramente a esse exame, não reservando nenhuma parte, como santuário que vos possa abrigar. Não devem existir recantos secretos em vosso espírito, nem santuários secretos que receeis pesquisar.

Para mim, a verdadeira suspensão de julgamento é dar plena aprovação sem discernimento. Se o vosso espírito está ainda em contínuo e habitual alheamento em determinada direção e procura estar vigilante em outra direção, não descobrirá a verdadeira harmonia que é a vida. Vossa vida individual deve funcionar magnificamente, harmoniosamente em qualquer direção. Não podeis dividir a vida em trevas e luz; nem o espírito. Se quiserdes, portanto, compreender alguma coisa, algum assunto, alguma ideia, quer seja nova ou velha, não deveis dividir o espírito. É muito fácil. Mas é preciso coragem para transpor esta barreira, na qual há, de um lado, o desejo de pesquisar, o desejo de ser feliz, o desejo de se aprofundar em qualquer experiência, e de outro lado a apreensão que produz conforto, santuários e recantos escuros.

Não quero que a minha prédica seja teórica. O que estou dizendo, sinto-o pessoalmente, individualmente, e se assim não quiserdes agir, não me escuteis. O que devemos fazer é nos modificarmos. Um amigo meu disse-me ontem: “Pensais que todos que te ouvem estão realmente desejosos de ser felizes e libertos?”

Respondi: “Receio que não. Talvez um , dois, três ou quatro”. Perguntou-me então: “Porque falas a todos?” Respondi-lhe: “Porque posso encontrar um ou dois que sejam como o fogo que incendeia e destrói todas as coisas feias e imprestáveis que o rodeiam”.

Nada vale, portanto, ouvir apenas, deixando que o espírito, por um lado permaneça em alheamento habitual e por outro procure pesquisar. Não sereis bem sucedido numa corrida, se tiverdes uma perna amarrada e a outra livre. Se quiserdes correr, deveis rasgar as ataduras, abandonar as muletas e tentar o empreendimento. A felicidade, libertação, o mais alto grau de espiritualidade devem ser alcançados pelos mais velozes; isto é, pelo homem que age, que opera mais suntuosa e harmoniosamente na vida.
O que estamos procurando fazer — é colocar a teoria na prática. As teorias não são boas por si mesmas e o homem que coloca em prática uma teoria em que está interessado, está no cume da montanha da compreensão. A dificuldade na maioria das pessoas está em desejar que o espírito esteja cheio de alguma coisa mais. Não se esforçam, prendem-se a ideias e, então, transformam essas ideias em ação para si próprios e as mantêm. Se desejardes aprender música, procurareis um músico e empenhareis toda vossa vontade no sentido de compreende-lo e aprender. Se procurardes um violinista e lhe pedirdes que vos ensine a pintar, não aprendereis; tereis de procurar um pintor. Assim, se quiserdes ter espiritualidade, deveis procurar o homem ou as ideias que são espirituais; e espiritualidade sob o meu ponto de vista, significa torna o homem total e inteiramente livre.

Respondendo estas questões não posso, naturalmente, resolver vossos problemas. Se o fizesse, não vos auxiliaria. A solução de todos os problemas está dentro de vós mesmos. Tudo quanto posso fazer é auxiliar-vos e encorajar-vos para que vós mesmos a encontreis. Por favor não espereis uma solução para o problema imediato. Em resumo, um médico não trata simplesmente dos sintomas; precisa conhecer a causa da doença, e, se o doente insistir em ser curado dos sintomas, o médico não se entenderá com ele. Assim, eu quero tratar da causa da tristeza, da causa da limitação. Fundamentalmente, para mim, a espiritualidade é a libertação e somente sob este ponto de vista posso eu responder e não sob outro. Isto posto, se quiserdes compreender e ter uma verdadeira perspectiva da vida, deveis abstrai-vos impessoalmente do todo e daí examinar o todo. Se viverdes em um vale e desejardes ver o cume da montanha, deveis afastar-vos à grande distância para bem ver. Não podeis esperar ver o cume da montanha, enquanto estiverdes sob uma sombra; e não obstante é isto que todos procuram fazer: resolver as dificuldades da vida sob o ponto de vista do imediato! Para resolver qualquer problema, especialmente o problema da vida, da tristeza, do sofrimento, da dor, da limitação, deveis ver o final e focalizar o vosso ponto de vista naquilo que é o remate, o gozo da vida, e desse ponto de vista tentar resolver os vossos problema.          


Krishnamurti em Reunião de Inverno em Adyar
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill