“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

Sobre respeitabilidade e dependência

Pergunta: Dissestes ontem que a verdade não tem aspecto. Julgais, então, que qualquer formulação da verdade é só do espírito?

Krishnamurti: Julgo. Para mim a verdade é a vida; essa vida que é harmoniosa, rica e completa e que funciona sem obstáculos neste mundo. Isto é o todo. Um circulo não tem aspecto. Se um homem coloca-se só em um lado e não deseja ver o todo, esse aspecto limitado lhe aparece como o todo; esse limite estreito, esta faixa do circulo torna-se em aspecto total da verdade. Não é a verdade, é apenas um limite da verdade; e para compreenderdes o todo, deveis ter a completa experiência da verdade. A verdade não está oculta, em alguma parte da vida. A verdade, para mim, é a vida de cada indivíduo liberto que movimenta sua completa capacidade, um espírito que é livre, um amor que não está limitado nem corrompido por afeições pessoais.

Pergunta: A completa libertação do temor necessita da libertação de toda a espécie de dependência exterior, incluindo a da dependência material. Mas na situação atual das coisas, a interdependência é considerada inevitável para a garantia da felicidade material do indivíduo. Assim, como excluir inteiramente o temor?

Krishnamurti: Se dependerdes simplesmente de vosso estomago, não tereis a felicidade da vida. Na civilização moderna, o indivíduo não pensa. Ele se torna apenas uma parte de uma enorme máquina. Se fordes colhido por esta máquina, há o medo, há a repressão, e a vossa grandeza individual está aniquilada. Mas se procurardes libertar-vos do medo, se procurardes o vosso próprio desenvolvimento pessoal e grandeza, deveis afastar-vos da máquina. Perguntar-me-eis: “Como faze-lo?” Como um homem na prisão deseja liberdade, deseja ar puro? Ele não indaga, está sempre procurando romper as paredes para fugir. Se receais ficar na miséria, devereis, então, tornar-vos um dente da engrenagem da máquina, deveis tornar-vos uma parte reunida ao todo. Mas, se disserdes: “Não me preocupa ficar na miséria, mas farei o que julgar ser direito”, então não sereis mais uma pessoa medíocre, estareis vos desviando da rota comum. Muitas pessoas se desviam do mundo mecânico, mas desviando-se deste mecanismo, criam forma própria, particular de mecanismo e este novamente os atinge.

Que vos interessa? Tornar-vos parte desta máquina gigantesca, esta moderna civilização, que destrói o indivíduo e a sua felicidade? — ou estais procurando vossa própria libertação e por isso tornais livres os que vos rodeiam? Se pensais que devereis ser um dente da engrenagem, Tornai-vos, então, um dente de engrenagem de primeira qualidade. Se desejardes ser livre, destruí o mecanismo que vos cerca.

Desejais simplesmente esquivar-vos da enfadonha luta da vida. Então, todas essas dúvidas existem e não são dúvidas verdadeiras, mas questão de erros intencionais. Se desejardes realmente descobrir, devereis fazê-lo com todo o vosso coração, com todo o vosso espírito e estar preparado para sofrer. Sois todos tão respeitáveis! Tendes medo de vossa família, de vossas mulheres, de vossos maridos, vossas mães, vossos pais, vossos vizinhos, vossos “gurus”. Então, como podereis encontrar a verdade que nada tem a ver com as pessoas, com a sociedade, com a máquina? Devereis, se pudesse eu sugeri-lo, ter essa pergunta sempre diante de vós: — Quererá, aquele que eu conduzir à liberdade, dar-me energia vital para distinguir o essencial e colocar de lado tudo que não é essencial?

Krishnamurti em Reunião de Inverno em Adyar, 29 de dezembro de 1929  
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill