“Não se pode falar do oceano para um sapo do brejo — criatura de uma esfera mais acanhada. Não se pode falar de um estado isento de pensamento para um pedagogo; sua visão é demasiado restrita”. — Chuang Tzu

A Causa da Tristeza

Todos os homens desejam descobrir por si próprios, com certeza, qual o propósito da vida. Esta descoberta somente pode ser feita mediante o viver e não por mero arquitetar de teorias intelectuais. Após a descoberta desse propósito, podem por ele trabalhar perseverantemente. Porém, para fazerem isto, precisam libertar-se, de todas as filosofias, dogmas, credos, religiões, ritos particulares — tudo pois que ninguém pode, por um momento sequer, descobrir seu verdadeiro propósito na vida, ou a própria vida, com todos esses impedimentos. Quando o homem houver se desapegado completamente de todas as coisas não-essenciais, pode começar a descobrir o que é que ele próprio está buscando. É na qualidade de indivíduo que ele tem de fazer essa descoberta.

Todo o homem está buscando libertar-se da tristeza. Desejo é vida e esse desejo está continuamente lutando contra as limitações. Ele procura ser livre. Em busca da felicidade está continuamente rompendo com as limitações.

Os homens estão a todo momento procurando a perfeição. A imperfeição é uma limitação e a vida individual, que começa na limitação, que vai de corrupção em corrupção, está incessantemente buscando a incorrupção e a liberdade. Enquanto durar a limitação, há tristeza e é da tristeza que todos os homens querem fugir. Estão buscando encontrar um caminho por meio do sofrimento, pelo emaranharem-se na roda da tristeza e da dor. No atingir da perfeição encontra-se a libertação e em nada mais.

Buscai a perfeição, portanto, em lugar das filosofias, das teorias, dos dogmas, das religiões e objetos de culto — que todos são irreais, infantis, não-essenciais. Os homens distraídos por todas essas coisas, não atacam o problema único que está na raiz de tudo isso que os sufoca, que cria devastação em sua auto-expressão, em seu crescimento individual.

Não desperdiceis tempo com sombras, que se esvaecem como a névoa da manhã.

Assim, voltamos novamente a essa coisa dinâmica que é o desejo. Podeis adorar falsos deuses — e todos os deuses são falsos — podeis aferrar-vos ao irreal, porém o desejo crescerá e vos subjugará, a não ser que encorajeis esse desejo na direção da perfeição. Somente com o desejo da perfeição deveis insistir, pois que esse desejo é vida; este somente se sobrepõe ao caos, as irrealidades às quais os homens se apegam, em lugar de se apegarem ao real.

Qual é a causa, pois, da tristeza? Com esta devemos nos preocupar. Tristeza e alegria, dor e prazer, luz e sombra, são a mesma coisa. A tristeza precisa existir, assim como o prazer. É inútil tentar fugir a qualquer delas. Somente quando estiverdes absolutamente isentos de ser perturbados por qualquer dessas coisas é que a verdadeira perfeição morará em vosso coração e mente.

O eu está sempre ascendendo para a perfeição pela auto-afirmação. Ele afirma “Eu sou”, à medida que vai subindo a montanha da experiência. Esta auto-afirmação do “Eu sou”, cria ecos e esses ecos voltam como tristeza, dor, prazer. Esta auto-afirmação do “Eu sou” é inevitável. A ela não podeis fugir. A auto-afirmação na imperfeição, cria a individualidade. A todo o instante estais afirmando “Eu sou”, “eu” penso assim e assado, “eu” sinto isto, “eu” sou muito maior que qualquer outra pessoa. O “Eu” está a todo o instante criando este imenso turbilhão de ecos que voltam sobre ele e o cegam. Quando, porém, houverdes atingido o preenchimento da vida, vosso “eu sou” não mais criará ecos, não mais criará turbilhões. No processo da auto-afirmação, o amor da vida que é o todo — à qual toda a vida individual ou universal tem de chegar — é esquecido.

Que é auto-expressão? Vós vos expressais sem conhecerdes vosso verdadeiro eu. Vós expressais o quer que vos venha à mente e por esse motivo existe esse caos combativo dos diferentes eus. Como uma árvore na floresta rouba a luz da sua semelhante, assim vós, em vossa auto-expressão, furtais a luz, o entendimento, a felicidade de outrem, e, assim, criais tristeza, infortúnio e fadiga. A verdadeira auto-expressão deve ser o resultado do amor à vida, que é liberdade, que é perfeição. Então, não podereis entrar em conflito com outrem. Então, tereis verdadeira benevolência para com o vosso próximo. Então, conhecereis essa unidade da qual falais tão desatinadamente. A partir do momento que percais o amor da vida e interponhais vossa auto-expressão do momento entre vós e o eterno, em vossa limitação, estareis tendendo a sofrer, a criar dor para vós e para os outros. Por esta razão devereis conhecer qual é o preenchimento final de toda a vida. Uma vez que tenhais alcançado uma visão da perfeição, como parte de vós próprios, no traduzir essa visão que, uma vez mais, é autoafirmação — reside a verdadeira criação. Criação, para a maioria das pessoas, significa edificar casas, pintar quadros, escrever poesias. Isto não é a verdadeira criação, isto é somente criação do eu na limitação. A verdadeira criação é a resultante dessa harmonia que é perfeição, o delicado equilíbrio da razão e do amor. A própria vida é criação, a vida mesma, é o maior dos artistas. Sereis capazes de atingir a perfeição em linha reta, estareis tornando-vos verdadeiro criador, ao serdes uno com a própria vida.


Não podeis fugir a auto-expressão, porque a própria existência é autoafirmação. Porém, o ser deve ser tornado perfeito por meio da autoafirmação, por meio da realização de que, enquanto a autoafirmação estiver em cativeiro, dentro da limitação, pelo fato de haverdes entendido, tereis sondado o amor da vida. 

Jiddu Krishnamurti, 1928
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)