“Não se pode falar do oceano para um sapo do brejo — criatura de uma esfera mais acanhada. Não se pode falar de um estado isento de pensamento para um pedagogo; sua visão é demasiado restrita”. — Chuang Tzu

A libertação está no destruir as barreiras de limitação


Pergunta: Dizeis que o homem é absoluta e incondicionalmente livre, e que por ser livre, está limitado. Por favor, podeis explicar como sua limitação é resultado de sua liberdade.

Krishnamurti: Disse que o homem, por ser livre, é limitado. Se não fosseis livres não criaríeis este caos que existe no mundo, não criareis o caos dentro de vós mesmos. O sofrimento, a tristeza, a luta, vêm manifestar-se através da limitação. O processo da libertação é o de destruir barreiras. Pelo fato de serdes livres, derrubais, vos expandis, cresceis; se, entretanto, não fosseis livres, se houvesse qualquer ser super-humano guiando-vos, se a vida de todo o indivíduo fosse vigiada, não existiria caos no mundo, não haveria limitação nem angústia. Serieis conduzidos como crianças através do abismo, sem o menor incomodo, tendo tudo planejado, controlado, dominado; não estais, porém, assim, tendes os vossos desejos e esses desejos estão continuamente indo de encontro à limitação, e o desejo luta e se esforça por derrubar as paredes da limitação, que o próprio desejo coloca diante de si mesmo. Se o prisioneiro verifica que não é prisioneiro, derruba as paredes da prisão. Pelo fato de não verificardes que sois livres, vos atemorizais. Tendes toda essa gama de religiões, de superstições, de crenças, dogmas e tudo mais, para vos sustentar em vosso temor. Ao passo que, se verificardes que, como indivíduos, sois absoluta, integralmente livres, então não vos atemorizareis, tudo vos será claro. Começareis por vos tornar fortes e cheios de propósito e não inventareis abrigos, confortos, deuses. Não buscareis salvação vinda do exterior. Podeis libertar-vos de certas tradições, tais como o banhar-se no Ganges, que deixareis àqueles que disso gostam, mas tereis vossa tradição particular pendurada ao redor do pescoço, isto por vos achardes atemorizados, incertos. Se vos encontrardes seguros, livres, tendes que escavar o vosso próprio caminho que é único e, portanto, não pode ser trilhado por outrem, seja quem for. Não existe caminho comum para a verdade. Assim, pois, é necessário que o pesquisador, que o homem crie seu próprio caminho. Mesmo que não busqueis a verdade, não importa; ela virá bater à vossa porta, através da tristeza, do sofrimento. Não vos molesteis em procurar e, por esse modo, em colocar-vos aparte da humanidade, separados da vida. A partir do momento que verificareis que a tristeza reside na limitação e que, por serdes livres, podeis destruir essa limitação, começareis a tornar-vos fortes, altivos, cheios de propósito. Então não sereis embaraçados nas limitações dos credos, das superstições, das crenças.

Estais me escutando como o haveis feito durante três anos e continuareis a fazê-lo pelos próximos dez anos, porém não vos achais realmente interessados em tudo isto, isto não é sério para vós. É exatamente como uma fantasia dentro da qual pensais que necessitais permanecer e que, ao contrário, perdereis algo. Por favor, acreditai-me, jamais perdereis seja o que for. De que vos serve escutar todos os dias, se não pondes uma só coisa em prática? Não importa o que seja. O que vos digo é fácil e compreensível para o selvagem como para o homem altamente evoluído. O altamente evoluído compreende a simplicidade, e a simplicidade é inexaurível; e o mesmo faz o selvagem por não ser complicado, por ter apenas começado a aprender. Porém, para o homem que se encontra entre estes dois, a vida é mais difícil, por não querer ele ir aos extremos; e aí reside a mediocridade, a mesquinhez de pensamento, a mesquinhez da vida, a indiferença. Não sei porque vindes ouvir-me todos os anos ou que valor tem isso para vós. Eu vos digo honestamente que se houvesse dois ou mesmo um só homem, realmente ansioso de aprender, de compreender, ardendo nesse desejo, seria muito melhor do que ter milhares indiferentes.


Se vós, como indivíduos, não vos aperceberdes que sois livres, absoluta e incondicionalmente, então tereis a tendência a criar complexidades, e, nessas complexidades que não são essenciais, sereis aprisionados. A função de uma pessoa como eu é explicar-vos que estais aprisionados e, por isso sois incapazes de destruir, por vós próprios, as barreiras. Eu não posso derrubar as barreiras, porque sois livres. Aí é que reside a potencial grandeza do homem. Ele não é como um animal que precisa ser conduzido, adestrado, a quem se diga o que deve fazer, que tenha de confiar nos poderes exteriores a si mesmo. Direis imediatamente: Não existem por acaso os Mestres? Não há um plano para a humanidade; e tudo mais que se segue. O que eu digo é: Deus, Mestres, gurus não tem utilidade para a libertação. Se houverdes sofrido, se realmente estiverdes famintos, ardendo, ansiosos, então aquilo que eu digo terá valor; se estiverdes buscando conforto, para ele haverá fim. Em vez de possuirdes velhos deuses tê-lo-eis novos, em vez de velhos gurus, tereis novos gurus, em vez de possuirdes velhas tradições, tê-las-eis novas também.    

Krishnamurti no Acampamento da Estrela em Benares, em 9 de novembro de 1929
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)