“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

Sejam quais forem as consequências, busque o essencial

Penso que a dificuldade que tem a maioria das pessoas provém de serem muito indiferentes, e a indiferença geralmente produz a tolerância. A indiferença é como uma folha que voa soprada pelo vento. A mente que não é esclarecida, precisa, quando não está sempre julgando, balanceando, pensando tudo, tende a tornar-se cada vez mais indiferente, e nela admitis todo o pensamento, não a preocupando quem escreve ou fala. Entra e saí, sem deixar um vestígio. Tal mente é tão indiferente que aceita todas as coisas sem exame, e é benigna e docemente tolerante. É o que está acontecendo com a maioria das pessoas educadas. Aceitam tudo, sem pensar, sem julgar o que pessoalmente pensam a respeito. Por exemplo, se vos apresento um pensamento, não há contra ele a resistência de vosso próprio pensamento. É como que se lutasse com uma parede de pedra. Mas se houvesse um pensamento ativo e criador de vossa parte, haveria uma qualidade receptora que é essencial à compreensão. Se sois indiferente a este pensamento e a essa espécie de expressão, a consequência é que estais dominado, moldado, preso à autoridade de cada pensamento transitório. É esta uma das mais difíceis coisas, suponho, aqui na Índia. O Hinduísmo admite toda a sorte de pensamento; podeis ser um agnóstico ou o contrário disso, e ainda podeis ser hindu. Admitis tudo, e, por isso, sois como uma casa em que entram todas as correntes de ar. A vossa própria mente é indecisa, tornai-vos indiferente, e a indiferença é pecaminosa, se em alguma coisa há pecado. Eu preferiria que de modo absoluto, categórico e violento recusásseis tudo quanto eu digo ao invés de permanecerdes indiferente. A vossa tolerância inclinou-se para a indiferença. Temos neste país o Cristianismo, o Budismo, todas as religiões, e não somos, realmente, espirituais, porque nos tornamos cada vez mais indiferentes. Seria melhor, sob o meu ponto de vista, que fossemos, realmente, intolerantes., porque pensais que a vossa ideia é a melhor e que convém por ela vos baterdes. Não estou pregando a intolerância; mas serdes indiferente às vossas ideias, ao vosso próprio sofrimento, à vossa própria lida, à vossa vida penosa, é um pecado, é uma maldição.

A mente ativa, que está constantemente vigilante, deve ter, antes de tudo, experiência. A verdade deve ser experimentada e, depois, mantida. Não podeis crer na verdade. Ela é vossa, como o vosso nariz é vosso, como os vossos sentimentos são vossos. A verdade não deve ser acreditada com indiferença, mas mantida com objetivo, que provém do êxtase de toda a experiência. A verdade é a vida, a ser experimentada através do desejo, através do senso, através do pensamento e da emoção. Como disse eu ontem, se obstruís qualquer um desses canais pelo temor, pela falta de compreensão do objetivo da vida, estais obstruindo os púnicos meios pelos quais a vida pode ser compreendida. É esta a razão porque não podeis ser indiferente. Sede ou completamente contra ou completamente a favor. Não hesiteis entre as duas coisas. Se pensais que estou errado, não faz mal. Se achais que o que pensais está certo, e não vos incomodais com as consequências, não desenvolvereis, então, esta funesta indiferença. Um bom nadador preferirá nadar contra a corrente, porque se delicia com o exercício, em vez de seguir serenamente a corrente, porque nisso não há muito divertimento. É uma simples distração. Uma mente ativa, que sabe o que quer, que está sempre analisando, experimentando, pesquisando, nunca pode acreditar simplesmente na verdade. Deve sentir a verdade. Isto, para mim, é a coisa de maior importância nestas palestras. Não preciso que acrediteis em nada que eu digo. Tenho sido vagamente, reservadamente, atendido nas discussões que têm ocorrido. Um pessoa diz: “Krishnamurti diz isto”, mas, nunca, o que ela pessoalmente sente, pensa e está lutando pela vida, porque tudo isto torna-se uma questão de crença, e não de experiência da vida. A verdade não é uma questão de crença ou afeição pessoal. Deveis gostar de mim e eu devo gostar de vós. Esta não é a razão pela qual deveis acreditar naquilo que eu digo. Verdade é vida, e a vida é o desejo, o pensamento, o senso, as emoções; e se não puderdes compreender e desenvolver isto, nunca tereis a verdade que é felicidade, que é a liberdade. Não podeis ser indiferente, deveis ser eficientemente pró ou contra. Seria muito melhor, acho — estou dizendo isto convencido de que será mal compreendido — ser fanático, no sentido mais amplo da palavra, saber o que é essencial e procura-lo, quaisquer que fossem as consequências. É o que vós pensais que é o essencial, não o que eu penso, porque não posso dizer o que vos é essencial. É uma questão de discernimento individual verificar o essencial, e, ao fazê-lo, deveis ser sempre cauteloso, discernindo, rejeitando e assimilando. Não acrediteis apenas porque eu acentuei certos pontos repetidamente. É essa a razão porque frequentemente pergunto a mim mesmo se na realidade vale a pena falar ou não. — Não acrediteis, mas experimentai o que estou dizendo, porque só pela experiência podereis desenvolver-vos, e não pela crença.       


Krishnamurti em reunião de inverno em Adyar, 31 de dezembro de 1929
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill