“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

A crença é desnecessária para uma vida limpa e nobre

Pergunta: Cristo nos ensinou a olhar para Deus como um Pai. Ele nos deu uma prece dirigida a esse Pai. Como então, podereis levar os cristãos a realizar que “não existe Deus, outro que não o homem purificado e enobrecido?”

Krishnamurti: Que faríeis a um homem que se encontrasse fechado à chave em uma casa? Bater-lhe-ieis à porta. Se ele tiver ouvidos, escutará as pancadas; se, porém, seus ouvidos estiverem cheios de outros sons, ele não vos escutará. É tudo tão simples se o encarardes sob o ponto de vista da liberdade e do viver com a vida eternamente e não na segregação da vida, por bela, por gloriosa que seja essa segregação!

Pergunta: Acreditais em Deus? Se assim é, em que forma de Deus? Haveis visto Deus? Podeis mostrar-me Deus?

Krishnamurti: A crença é desnecessária para uma vida limpa e nobre. Se, porém, me perguntais: “haveis visto a Deus?”, eu vos respondo “sim”, porque vos hei visto a vós próprios, porque hei visto as árvores e as hastes de erva. Quereis encontrar Deus em certo lugar distante, para além das montanhas em um lugar oculto. Deus está onde toda pessoa, onde toda coisa móvel ou imóvel se encontrar. Se chegardes a este estágio de compreensão da vida, não mais fareis perguntas. Essas coisas são desnecessárias. Elas não resolvem o problema da vida, o assunto da vossa tristeza, do prazer ou de todas essas inúmeras dificuldades que vos defrontam.  

Pergunta: Se não existe outro Deus que não o homem tornado perfeito, como podeis explicar o instinto de toda a mãe que é o de orar a certo Ser para que salve e proteja seu filho quando ele se encontrar em perigo, dado ser ela impotente para protegê-lo, visto ser um Deus ainda imperfeito? Será este instinto apenas uma superstição grosseira, ou existe alguma realidade por detrás dele?

Krishnamurti: Quando meu irmão estava doente, eu costumava ficar acordado durante a noite, olhando para as estrela que cruzavam o horizonte, seguindo seu curso, e ponderava se não poderiam elas salvar a vida a meu irmão. Contemplava também a sombra de todas as árvores durante o dia, interrogando-as sobre se não lhes seria possível protege-lo. Elas, porém, não o protegeram. E verifiquei, então, que a vida é uma só, posto que tenha muitas expressões, e que enquanto eu estivesse separado de meu irmão, dessa vida que nele estava, eu almejava pelo passageiro conforto, pelas sombras passageiras do entendimento, orava e interrogava a todos os transeuntes. A partir, porém, do momento em que verifiquei que onde quer que exista vida ela é uma, posto exista uma multidão de expressões dessa mesma vida, cessei de me afligir. A tristeza dá o perfume da compreensão. Para simpatizar com grandeza e para amar com plenitude é preciso experimentar a tristeza; quer ela venha através a morte de um irmão ou devido à tristeza de um ser amado, é coisa de pouquíssima importância. Não penseis ser isto uma maneira cruel e dura de encarar a vida; não é. É uma maneira simples, portanto, divina   

Pergunta: Não será aquilo que chamais vida apenas um outro nome dado a Deus?

Krishnamurti: Se vos apraz usar a palavra Deus, fazei-o. Há muitas pessoas no mundo que apresentam objeções à palavra Deus, por alimentarem a ideia de que a maioria dos Deuses no mundo são criados pelos homens, em consequência de suas próprias limitações. Um Deus assim é de bastante conveniência. Pertence à nossa bandeira e ao nosso país, à nossa particular religião e à nossa crença particular. É nosso protetor em especial e o destruidor dos outros. “Vida” é, porém, termo muito mais livre; dele não se tem abusado. O preenchimento da vida é o atingimento da Divindade. Muita gente imagina que Deus se ache longe, num trovão. Encaram-no como um auxiliar externo, e por esse modo colocam uma limitação sobre a vida. Se, porém, tiverdes a vida como sendo Deus e vos lembrardes de que a divindade, a perfeição dessa mesma vida reside em vós próprios, então estareis mais aptos a compreender a discórdia, a luta, a dor e a tristeza, e sereis capazes de vos sustentar por vós mesmos sem depender de outrem para vosso conforto.

Krishnamurti, 1930
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill