“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

A ideia de que a vida chega a um fim é absurda

Pergunta: Para muitas pessoas, lutar é mais interessante do que atingir. Na concepção de uma meta final a ser atingida por todos, e parece haver um sentimento de finalidade e compleição que importa em estagnação. Será isto uma concepção errada?

Krishnamurti: Inteiramente. A meta da vida é o começo e o fim; não existe, porém, fim. Se o lutar é mais interessante que o atingir é porque não estais grandemente interessados. Vosso semblante, vossa atitude, vossas obras não evidenciam o frêmito da vida. Pelo fato de não estardes lutando é que existe a estagnação e não por causa da consecução, que mais não é que uma maneira suave de a vós mesmos enganardes. A ideia de que a vida chega a um fim é absurda. Um rio que penetra no mar não chega ao fim; une-se a maiores águas. Assim também é a vida que atinge o oceano de toda a vida onde não existe limitação.

Pergunta: Dizeis que a meta deve ser o guia para a vida e que essa meta é a perfeição. É possível alcançar essa perfeição em uma só vida? Muitas pessoas não aceitam a ideia de qualquer consciência continuando após a morte, e não observam como o atingimento da perfeição seja para eles possível em uma só vida.

Krishnamurti: Por outras palavras. É necessário acreditar na reencarnação? Este é o pensamento que se encontra por detrás dessa pergunta. Como não se pode atingir a verdade, que é perfeição, em uma só vida, precisa-se de acreditar que exista consciência após a morte e que a consciência volte à terra na forma, que é o que denominamos reencarnação.

A reencarnação não deve ser tomada como um dogma, uma crença em virtude da qual o povo entre em contendas. É apenas uma ponte para a compreensão. No fim das contas, o que tem importância é que certa vida condicionada — a verdade que é vida, a princípio encontra-se condicionada — tem de aperfeiçoar-se mediante a libertação das coisas. É este o atingir do preenchimento da vida, e eu sustento que ele é possível para quem for sábio, para o homem que estiver possuído do ardente desejo de obter isto em uma só vida. Uma vez mais vos digo, que não façais disto um dogma ou uma crença. Pode talvez dar-se que tal coisa exija muitas vidas sucessivas para ser atingida, podendo chamar a isto reencarnação, ou continuação da consciência. Tal coisa não é de grandíssima importância. O que é de grande importância é aperfeiçoar e libertar esta vida que está dentro de vós, agora, e não em qualquer tempo de futuro. De que vale o virdes a ser muito poderosos num futuro distante? Isto será apenas uma esperança seduzindo-vos, em vossa frente.

O passado não tem valor por estar passado; o presente é a resultante do passado, e desde que podeis dominar o futuro, o presente é que é de máxima importância. Como vos é dado o poder de dominar, utilizar o futuro para o fazerdes servir aos vossos propósitos, o tempo, como tal, cessa de existir se trouxerdes esse futuro para o presente. Se o futuro puder ser controlado, dominado pelo presente, o presentes será eterno; o presente é a verdade, isso, porém, não significa que a sombra do presente deva empolgar-vos por tal maneira que percais de vista o eterno, na distância que denominais o futuro.


Pelo aperfeiçoamento do presente, pelo constante observar e dominar de cada segundo do presente é como encontrais a verdade e abris a porta para esse reino da felicidade, para essa eternidade que é a verdade, para esse preenchimento da vida que é o começo e o fim. Se encarardes isto sob um ponto de vista, assim, todos os sistemas, todas as crenças, todos os dogmas, todos os gurus serão de mínima importância, serão como as nuvens que passam, arrastadas pelo vento. Assim como a abelha junta mel tirando-o de cada flor afim de armazená-lo para o inverno, utilizai vós outros o momento presente para servir o vosso crescimento e para melhor entender e auxiliar a outrem.   

Krishnamurti, 1930
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill