“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

A libertação do coração e da mente

O que tenho estado a vos dizer é aplicável a todo o ser humano e toca a toda a fase da vida humana; para que, porém, se possa ser capaz de compreender devidamente, é preciso não examinar simplesmente o significado das palavras; porém, esforçar-se para compreender o significado da essência. Podeis tornar as palavras barreiras e criar contradições por meio delas.

A Verdade não é uma realidade progressiva; porém sim, uma inteireza por si mesma, a qual pode somente ser realizada por meio do esforço individual. Para sustentar este esforço constante, tendes que examinar e estabelecer equilíbrio em todos os vossos pensamentos, emoções e atos. Esforçai-vos por fazer face a vós mesmos com veracidade, sem transigir convosco mesmos.

Se quiserdes compreender, tendes que começar por ser honestos e extremados, em vosso juízo acerca de vós mesmos. Extremados não nos opostos, porém sim, no libertar-se dos opostos, que é harmonia. Tomai, por exemplo, o desejo de possuir. O oposto a posse é a renúncia. Se, porém, fordes extremados, isto é, desapegados, não terá importância o fato de possuirdes ou não. Isto exige honestidade de pensar, coragem de posse ou de renúncia. A mente é passível de grandes decepções e eis porque eu digo que necessitais de ser honestos e portanto extremados em vosso julgamento acerca de vós mesmos.

A maior parte das pessoas estão sobrecarregadas pelo desejo de possuir, sejam pessoas, bens ou qualidades. Este desejo de possuir é expressão do egoísmo sistemático. A felicidade reside no extremo, porém, no extremo do desapego. O ser-se absolutamente desapegado exige grande esforço de propósito, continuo auto-ajuste. É essencial o ser extremado, porém extremado em equilíbrio, não extremado numa direção especial.

Muitas pessoas pensam que a Verdade se realiza por afastar-se do mundo. O homem é colhido pela ação, e busca refúgio evadindo-se da vida para o romantismo, a imaginação e a ilusão. No entanto, estar em ação e ao mesmo tempo possuir liberdade de pensamento, é o que constitui a verdadeira solidão; solidão, não a do tédio, não a do temor, porém a solidão da alegria real. Nesta solidão aprendeis a ajustar vossos vários conflitos de emoção e pensamento, de modo a serdes capazes de resistir ao constante efeito da ação. Quando houverdes conseguido esta solidão interior, seguir-se-á a cessação dos reflexos, que conduz à contemplação sem esforço. Dessa contemplação provém a harmonia da razão e do amor, e desta segue-se o apercebimento, a intuição que é constante, na qual não existe nem separação, nem unidade. É esta a libertação do coração e da mente.   


Krishnamurti, Escócia, 14 de março de 1931
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill